O fundador e presidente da gigante chinesa de comércio eletrônico JD.com, frequentemente chamada de “Amazon da China”, afirmou que a empresa não pretende substituir seus funcionários por inteligência artificial (IA), mesmo diante do avanço da automação no setor.
Em comunicado direcionado aos colaboradores da empresa, o empresário Liu Qiangdong garantiu que fará o possível para preservar os empregos dos cerca de 900 mil trabalhadores da companhia, especialmente daqueles que atuam nos centros de distribuição e armazéns.
“A JD.com não vai demitir um único trabalhador da linha de frente para substituí-lo por uma máquina”, declarou o executivo, segundo informações divulgadas pela agência Bloomberg.
Apesar da promessa, a JD.com continua investindo em tecnologias voltadas à automação de processos logísticos e operacionais. No entanto, Liu reforçou que o objetivo dessas iniciativas não é eliminar postos de trabalho, mas otimizar atividades e ampliar a eficiência da empresa.
A declaração ocorre em um momento em que o governo chinês demonstra preocupação com os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho. Autoridades do país vêm desencorajando empresas a substituírem trabalhadores por sistemas automatizados, principalmente diante do desemprego elevado entre jovens.
De acordo com o jornal The Wall Street Journal, o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, chegou a se reunir com grandes empregadores — incluindo empresas de tecnologia, bancos e montadoras — para discutir os efeitos da IA sobre o emprego.
Embora especialistas apontem que a inteligência artificial pode gerar novas oportunidades profissionais no futuro, também há alertas de que a tecnologia poderá eliminar parte significativa dos empregos atuais, especialmente funções operacionais e de entrada no mercado.
Dados recentes mostram que a taxa de desemprego entre jovens urbanos de 16 a 24 anos na China, excluindo estudantes, atingiu 16% em abril, reforçando a preocupação das autoridades com possíveis impactos sociais decorrentes da automação.
Enquanto isso, o governo chinês segue incentivando o desenvolvimento tecnológico por meio da estratégia “IA+”, priorizando o uso da inteligência artificial em setores como manufatura e logística, considerados menos sensíveis à substituição de profissionais qualificados.
Casos recentes também chamaram atenção no país. Trabalhadores substituídos por sistemas de IA conseguiram na Justiça indenizações após tribunais entenderem que a automação, por si só, não justificava demissões sem alternativas de treinamento ou realocação profissional.
Fonte: Notícias ao Minuto Brasil.
















