O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aprovou a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A decisão foi anunciada na noite desta quarta-feira (15), após a conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
A nova tarifa está prevista para entrar em vigor no dia 22 de julho. No entanto, cerca de 2.100 produtos brasileiros foram incluídos em uma lista de exceções e não estarão sujeitos à sobretaxa.
Entre os itens poupados estão carne, café, laranja, suco de laranja e componentes destinados à indústria aeronáutica. Também ficaram de fora produtos como ferro-gusa, café solúvel sem adição de sabor, mel orgânico, determinados frutos do mar, couros, alguns produtos de madeira, medicamentos e insumos farmacêuticos.
Segundo o governo americano, as exceções foram definidas após a análise de manifestações de empresas e associações. A justificativa é que alguns produtos brasileiros são importantes para a indústria dos Estados Unidos, possuem pouca oferta no mercado interno ou são difíceis de substituir por fornecedores de outros países.
A investigação analisou diferentes temas de interesse comercial dos Estados Unidos, incluindo as tarifas brasileiras sobre o etanol e o funcionamento do Pix. Empresas americanas do setor de cartões de crédito alegam que o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos recebe tratamento preferencial, acusação negada pelo governo brasileiro.
O governo dos Estados Unidos também questionou práticas tarifárias brasileiras envolvendo países como Índia e México, além de apresentar críticas relacionadas à propriedade intelectual e a decisões judiciais brasileiras envolvendo empresas americanas de tecnologia.
As tarifas foram anunciadas após meses de negociações entre os dois países. O governo brasileiro realizou reuniões com representantes americanos na tentativa de evitar a sobretaxa, mas as conversas não resultaram em um acordo.
A nova medida pode afetar parte das exportações brasileiras para os Estados Unidos. Segundo estimativas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as tarifas podem atingir cerca de 21% das exportações brasileiras destinadas ao mercado americano.
O governo brasileiro deverá avaliar as medidas que serão adotadas após a entrada em vigor da tarifa. Entre as possibilidades está a utilização da Lei de Reciprocidade Econômica, que permite ao Brasil responder a sanções comerciais aplicadas por outros países.
A decisão também preocupa setores da economia brasileira que possuem forte dependência do mercado americano, com entidades alertando para possíveis impactos na produção, nas exportações e na geração de empregos.
Além da tarifa de 25%, os Estados Unidos analisam outra investigação relacionada à entrada de produtos fabricados com trabalho forçado no mercado americano. Caso uma nova tarifa seja aplicada, a taxação sobre determinados produtos brasileiros poderá chegar a 37,5%.
Fonte: Folhapress
















