O Governo de Mato Grosso do Sul investiu R$ 783,1 milhões em ações e serviços públicos de saúde entre janeiro e abril de 2026, segundo balanço apresentado nesta terça-feira (26) durante audiência pública da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS).
Os dados foram detalhados pela equipe da Secretaria Estadual de Saúde (SES) e mostram avanços nos investimentos da área, embora o Estado ainda esteja abaixo do percentual mínimo constitucional exigido para aplicação de recursos próprios na saúde.
Estado aplicou 10,23% da receita, abaixo do mínimo constitucional
De acordo com o relatório apresentado na ALEMS, Mato Grosso do Sul destinou 10,23% da receita de impostos e transferências constitucionais para a saúde, índice abaixo do mínimo de 12% exigido pela Constituição Federal.
No período, o Estado liquidou R$ 696,7 milhões em recursos próprios. Para alcançar o percentual obrigatório, seria necessário investir aproximadamente R$ 816,9 milhões, o que representa uma diferença de R$ 120,2 milhões.
Apesar disso, o índice registrado neste primeiro quadrimestre é o maior dos últimos quatro anos:
- 2023: 8,42%
- 2024: 8,67%
- 2025: 9,60%
- 2026: 10,23%
Recursos estaduais seguem como principal fonte da saúde
Os números mostram que os recursos estaduais continuam sendo a principal base de financiamento da saúde pública em Mato Grosso do Sul.
Segundo o levantamento:
- 87,41% das despesas liquidadas vieram de recursos estaduais;
- 11,31% foram transferências federais fundo a fundo;
- 0,88% correspondem ao piso nacional da enfermagem;
- o restante veio de outras fontes e emendas especiais.
Hospital Regional e Lacen receberam investimentos
Durante a audiência, a Secretaria Estadual de Saúde detalhou investimentos em infraestrutura hospitalar e modernização da rede.
No Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande, foram realizadas melhorias na UTI pediátrica, enfermaria pediátrica, Central de Material Esterilizado (CME) e pintura externa.
A unidade registrou zero óbitos maternos no quadrimestre, segundo a SES.
Outro destaque foi a reforma e ampliação do Laboratório Central de Saúde Pública, com investimento superior a R$ 15,4 milhões.
Já as obras do Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) atingiram 99,56% de execução em Campo Grande e 96,61% em Dourados.
Governo quer reduzir pressão sobre hospitais da Capital
O secretário estadual de Saúde, Maurício Simões, afirmou que a estratégia do governo é ampliar atendimentos no interior para reduzir a demanda reprimida e diminuir a superlotação de hospitais da Capital.
Segundo ele, a ampliação da rede regional busca evitar deslocamentos desnecessários para Campo Grande, principalmente em casos de baixa e média complexidade.
A interiorização já apresenta reflexos positivos. O percentual de pacientes regulados para hospitais fora da Capital subiu de 33,18% para 37,18%, indicando maior capacidade de atendimento regionalizado.
Telemedicina e cirurgias também avançam
Na área da saúde digital, a SES informou:
- 1.768 teleconsultas realizadas;
- mais de 31 mil laudos de eletrocardiograma emitidos via telediagnóstico.
O programa MS Saúde, criado para reduzir filas de espera, contabilizou no quadrimestre:
- 232 consultas;
- 423 exames;
- 337 cirurgias, com 99,2% de aprovação dos usuários.
Além disso, a cobertura da Atenção Primária à Saúde alcançou 96,05%, superando a meta prevista para 2026, de 90%.
Na saúde bucal, a cobertura populacional chegou a 67,58%, enquanto a Rede Hemosul distribuiu 37 mil hemocomponentes, com índice de satisfação de 96,6%.
Durante a audiência pública, deputados e representantes da saúde também discutiram o aumento dos casos de chikungunya e o avanço das campanhas de vacinação no Estado.
Fonte: Agência ALEMS
















