O mercado financeiro iniciou esta terça-feira (4) em alta, com investidores atentos às negociações envolvendo o conflito no Oriente Médio e à reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, que definirá o novo patamar da taxa básica de juros (Selic).
Por volta das 11h40, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, registrava alta de 0,43%, acompanhando o desempenho positivo das principais bolsas internacionais. Nos Estados Unidos, os índices S&P 500, Dow Jones e Nasdaq também operavam em valorização.
No mercado de câmbio, o dólar comercial subia 0,37%, sendo cotado a R$ 5,106.
Oriente Médio movimenta os mercados
O otimismo dos investidores foi impulsionado por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que negociações com o Irã estariam em andamento para reduzir as tensões na região.
O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, também declarou que existe a possibilidade de um acordo para reabrir o Estreito de Hormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás natural.
Apesar das declarações, autoridades iranianas negaram oficialmente que haja negociações em curso com Washington.
Mesmo com as versões divergentes, a perspectiva de uma possível redução das tensões favoreceu os ativos de risco e pressionou os preços do petróleo.
Petróleo recua
O barril do petróleo Brent, referência internacional da commodity, registrava queda de aproximadamente 4,8%, sendo negociado a US$ 79,71 no contrato para outubro.
A redução dos preços ocorre diante da expectativa de que um eventual acordo diminua os riscos de interrupção no fornecimento global de petróleo.
Queda do petróleo influencia o câmbio
Analistas destacam que a desvalorização do petróleo também afeta o mercado brasileiro.
Como o Brasil é um importante exportador da commodity, preços menores reduzem a entrada de dólares provenientes das exportações, o que pode pressionar a taxa de câmbio e contribuir para a valorização da moeda norte-americana frente ao real.
Mercado aguarda decisão do Copom
No cenário doméstico, o principal foco permanece na reunião do Copom, iniciada nesta terça-feira e com decisão prevista para quarta-feira (5).
Atualmente, a taxa Selic está em 14,25% ao ano, e parte do mercado financeiro projeta uma redução de 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano.
A expectativa ganhou força após a divulgação de indicadores que apontam desaceleração da economia brasileira.
Produção industrial recua
Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que a produção industrial caiu 1,8% em junho, na comparação com maio, resultado mais intenso que o esperado pelo mercado.
Além disso, a desaceleração recente da inflação também reforçou as expectativas de um possível corte na taxa básica de juros.
Caso a redução da Selic seja confirmada, especialistas avaliam que os ativos brasileiros podem perder parte da atratividade para investidores estrangeiros, especialmente nas operações conhecidas como carry trade, que exploram diferenças entre taxas de juros de diferentes países.
Fonte: Folhapress.















