A União Europeia revisou para baixo suas projeções econômicas para a zona do euro e elevou as estimativas de inflação diante dos impactos provocados pela alta dos preços da energia, impulsionada pela escalada do conflito no Oriente Médio e pelo fechamento do estratégico Estreito de Ormuz.
Em relatório semestral divulgado nesta quarta-feira (21), a Comissão Europeia apontou um cenário mais desafiador para as economias do bloco, que agora enfrentam pressão inflacionária renovada e perspectivas de crescimento mais lento.
Crescimento menor para a zona do euro
A previsão de expansão econômica da zona do euro para 2026 foi reduzida de 1,2% para 0,9%. Já para 2027, a estimativa caiu de 1,4% para 1,2%.
A revisão interrompe expectativas de recuperação moderada da economia europeia, que vinha sendo sustentada pela desaceleração da inflação nos últimos meses.
Segundo a Comissão Europeia, o agravamento do cenário geopolítico alterou significativamente as perspectivas econômicas do continente.
“O conflito alterou substancialmente esse cenário, provocando uma das maiores interrupções globais no fornecimento de energia da história recente”, destacou o relatório.
Inflação volta a subir
Além do crescimento menor, o bloco europeu também deverá enfrentar inflação mais alta.
A nova projeção aponta que a inflação na zona do euro deve atingir 3,0% em 2026, acima dos 2,1% registrados em 2025 e superior à estimativa anterior, de 1,9%.
Para 2027, a expectativa também piorou, passando de 2,0% para 2,3%.
O avanço da inflação está diretamente ligado ao aumento nos custos energéticos. Entre fevereiro e abril, os preços do gás natural subiram cerca de 50%, enquanto o petróleo registrou alta de 65%, segundo a Comissão Europeia.
Estreito de Ormuz aumenta preocupação global
A situação se agravou após o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais para transporte de petróleo e gás natural.
Como grande importadora de energia, a zona do euro é considerada especialmente vulnerável ao aumento dos preços internacionais do petróleo e do gás.
Mesmo com expectativa de recuo parcial nos preços das commodities energéticas em 2027, a Comissão Europeia estima que os custos permanecerão cerca de 20% acima dos níveis registrados antes do conflito.
Alemanha, França e Itália sofrem impacto
A Alemanha, uma das economias mais dependentes da indústria e do consumo energético, teve a previsão de crescimento reduzida pela metade: de 1,2% para 0,6%.
As projeções econômicas da França e da Itália também foram revisadas para baixo.
Já a Espanha teve leve melhora nas expectativas, mantendo desempenho mais resiliente em comparação aos demais países do bloco.
Consumidores mais cautelosos
O relatório também aponta deterioração da confiança do consumidor europeu, que atingiu os níveis mais baixos dos últimos anos.
O aumento das contas de energia, o medo de inflação persistente e preocupações com emprego têm reduzido o apetite por consumo e afetado as perspectivas econômicas da região.
Apesar do cenário desafiador, a Comissão Europeia acredita que o consumo interno ainda poderá sustentar parte da atividade econômica. O órgão avalia ainda que a diversificação energética adotada após a guerra entre Rússia e Ucrânia deixou a região mais preparada para enfrentar novos choques.
No entanto, o alerta permanece.
Caso os preços do petróleo e do gás continuem subindo acima do esperado, a recuperação econômica da zona do euro pode não acontecer nem mesmo em 2027, segundo a Comissão Europeia.
















