Os preços do petróleo voltaram a subir com força nos mercados internacionais diante das incertezas sobre a reabertura do Estreito de Hormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte de petróleo e gás no mundo.
Na segunda-feira (10), o barril do Brent, referência internacional, chegou a avançar cerca de 5%, encerrando o dia próximo de US$ 87,70. O WTI, referência nos Estados Unidos, também subiu aproximadamente 5%, superando os US$ 82 por barril.
Nesta terça-feira (11), a volatilidade continuou. O Brent chegou a atingir cerca de US$ 90,03 durante as negociações, o maior nível desde o fim de julho, antes de devolver parte dos ganhos. O movimento reflete a cautela dos investidores diante da falta de avanços concretos para normalizar o tráfego pelo estreito.
Reabertura de Hormuz continua incerta
O Irã informou que negociações com Omã para estabelecer novas condições de navegação pelo Estreito de Hormuz estão avançadas. No entanto, Teerã apresentou uma série de exigências para permitir a normalização do tráfego.
Entre as condições estão pedidos relacionados à suspensão de ações militares e sanções dos Estados Unidos, à retirada de forças americanas da região, à liberação de ativos iranianos congelados e ao pagamento de reparações pelos danos provocados pelo conflito.
As exigências aumentaram a percepção de que uma solução rápida para a situação pode não acontecer. O mercado, por isso, passou a incorporar um prêmio maior de risco aos preços da commodity.
Ataques aumentam preocupação com oferta de energia
A tensão também foi ampliada por novos episódios de violência na região. No fim de semana, os houthis, grupo alinhado ao Irã no Iêmen, afirmaram ter realizado um ataque contra uma refinaria da Saudi Aramco em Jazan, na costa do Mar Vermelho.
Os acontecimentos aumentam a preocupação dos investidores com possíveis interrupções nas rotas de transporte de petróleo e derivados no Oriente Médio.
O Estreito de Hormuz é particularmente importante para o mercado energético mundial. Por ele normalmente passam grandes volumes de petróleo e gás natural liquefeito destinados aos mercados internacionais. Qualquer interrupção prolongada aumenta os custos de transporte e reduz a previsibilidade da oferta.
Mercado acompanha negociações com cautela
A possibilidade de um acordo entre Irã e Omã havia provocado alívio nos mercados na semana passada, levando o petróleo a subir de forma mais moderada. Na sexta-feira (7), por exemplo, o Brent fechou a US$ 83,55, enquanto o WTI terminou a sessão em US$ 78,18.
O cenário mudou com o aumento das dúvidas sobre as condições para a reabertura da rota marítima. A avaliação predominante entre os investidores passou a ser de que, sem um avanço diplomático significativo, os preços podem permanecer pressionados para cima.
Nesta terça-feira, apesar da alta registrada no início da sessão, o Brent recuava 0,57%, negociado próximo de US$ 87,22, enquanto o WTI caía 0,44%, a US$ 81,77. A oscilação evidencia a forte sensibilidade do mercado às notícias relacionadas às negociações.
Impactos podem chegar à economia global
A persistência das restrições ao transporte pelo Estreito de Hormuz representa um risco para a oferta mundial de energia. Quanto mais tempo durar a interrupção, maior tende a ser a pressão sobre estoques comerciais, custos de transporte e preços dos combustíveis.
Além do petróleo, o mercado também monitora os efeitos sobre o gás natural liquefeito e outros produtos energéticos transportados pela região.
Para os próximos dias, o comportamento das cotações deve continuar fortemente condicionado às notícias sobre as negociações entre Irã, Omã e Estados Unidos. Um acordo capaz de garantir a retomada segura do tráfego poderia provocar uma queda rápida dos preços. Por outro lado, uma nova escalada do conflito ou a manutenção das restrições pode manter o petróleo em níveis elevados.
Fonte: Folhapress















