O Papa Leão 14 fez um forte apelo à comunidade internacional ao defender um tratamento mais humano aos migrantes e refugiados durante visita às Ilhas Canárias, na Espanha, uma das principais portas de entrada de imigração para a Europa. O pontífice afirmou que a história julgará os líderes que permanecerem indiferentes diante das mortes de pessoas que tentam escapar da guerra, da fome e da pobreza.
Durante discurso realizado no porto de Arguineguín, local conhecido por organizações humanitárias como “Cais da Vergonha” devido às condições precárias enfrentadas por migrantes durante a pandemia, o líder da Igreja Católica pediu mais consciência e solidariedade das autoridades internacionais.
“A dignidade humana não tem passaporte e não perde seu valor ao cruzar uma fronteira”, afirmou o papa, em um discurso voltado a líderes europeus e à comunidade internacional.
Leão 14 também lamentou o elevado número de mortes de migrantes no mar e alertou para o risco da normalização dessas tragédias. “Não podemos nos acostumar a contar os mortos”, declarou o pontífice diante de milhares de pessoas reunidas próximas a um memorial em homenagem às vítimas que perderam a vida tentando atravessar o oceano.
As Ilhas Canárias, arquipélago espanhol localizado próximo à costa africana, tornaram-se um dos principais destinos de migrantes que enfrentam travessias perigosas pelo Oceano Atlântico em embarcações improvisadas e superlotadas. Segundo dados oficiais citados durante a visita, o número de entradas irregulares na região aumentou significativamente na última década.
Em 2024, mais de 46 mil migrantes chegaram às ilhas, número muito superior aos registros de anos anteriores. Já em 2025, mais de 3 mil pessoas morreram tentando alcançar o arquipélago, conforme levantamento da organização humanitária Caminando Fronteras.
No encerramento da viagem, nesta sexta-feira (12), o papa reforçou a mensagem de acolhimento, afirmando que “todos nós somos migrantes”. Ao mesmo tempo, destacou que a integração deve ocorrer de forma mútua, incentivando os recém-chegados a aprenderem a língua local, respeitarem as leis e participarem da vida comunitária.
Leão 14 também chamou atenção para o chamado “naufrágio silencioso” vivido por muitos migrantes após a chegada ao destino, quando enfrentam solidão, desemprego, insegurança e vulnerabilidade à exploração.
Em outro momento do discurso, o pontífice fez um apelo direto contra o tráfico humano, pedindo que pessoas envolvidas na organização de rotas ilegais interrompam essas práticas. “Parem e se arrependam”, afirmou.
A visita do papa ocorre em meio ao aumento das discussões sobre imigração em diversos países europeus, onde o tema segue no centro de debates políticos e humanitários.
Fonte: Folhapress
















