O mês de junho em Mato Grosso do Sul é marcado pela campanha Junho Prata, iniciativa voltada ao enfrentamento da violência contra a pessoa idosa e à promoção de respeito, proteção e qualidade de vida para essa parcela da população. Instituído pela Lei Estadual nº 5.546/2020, o movimento integra o Calendário Oficial de Eventos do Estado e busca ampliar o debate sobre os desafios do envelhecimento e a garantia de direitos.
A legislação é de autoria do deputado estadual Renato Câmara (Republicanos), que defende a importância de fortalecer uma rede de proteção capaz de prevenir situações de violência, abandono e negligência. Segundo o parlamentar, muitas agressões permanecem invisíveis e nem sempre acontecem de forma física.
“O Junho Prata nasceu justamente para ampliar essa reflexão e fortalecer uma rede de proteção. Muitas vezes a violência aparece de maneira silenciosa, como exploração financeira, humilhação, isolamento ou negligência”, destacou o deputado.
Dados do Observatório da Cidadania de Mato Grosso do Sul, com base no Censo Demográfico de 2022 do IBGE, apontam que o Estado possui 391.091 pessoas idosas, o equivalente a 14,18% da população sul-mato-grossense. O aumento desse público reforça a necessidade de políticas permanentes de proteção e inclusão.
Especialistas alertam que a violência contra idosos nem sempre deixa marcas visíveis. A médica geriatra Tainá Pinheiro, do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS), explica que mudanças no comportamento, tristeza persistente, isolamento social, medo excessivo e dificuldades financeiras repentinas podem indicar situações de abuso.
A psicóloga Mirela Azevedo destaca que a violência psicológica costuma ser silenciosa e gradual, muitas vezes praticada dentro do próprio círculo familiar. Segundo ela, familiares, vizinhos e amigos têm papel fundamental na identificação de sinais e na prevenção.
Já o médico geriatra José Roberto Pelegrino alerta para os impactos dos maus-tratos na saúde física e emocional dos idosos, como agravamento de doenças, aumento de hospitalizações e perda de autonomia. A médica especialista em cuidados paliativos Fernanda Romeiro também chama atenção para a violência patrimonial, quando recursos financeiros do idoso são usados de forma inadequada, prejudicando seus cuidados básicos e qualidade de vida.
Durante o Junho Prata, municípios de Mato Grosso do Sul promovem campanhas educativas, palestras, rodas de conversa e mobilizações comunitárias para conscientizar a população e fortalecer as redes de apoio à pessoa idosa.
A subsecretária de Políticas Públicas para Pessoas Idosas, Larissa Diniz Paraguassu, destacou que o Governo do Estado mantém ações permanentes por meio do programa Envelhecer é Legal, voltado à promoção dos direitos da população idosa.
Especialistas reforçam que qualquer suspeita de violência deve ser denunciada. Casos podem ser comunicados pelo Disque 100, canal nacional de proteção aos direitos humanos disponível 24 horas por dia, além de delegacias, Ministério Público, Defensoria Pública, CRAS e CREAS.
A campanha reforça que proteger a pessoa idosa é uma responsabilidade compartilhada entre famílias, sociedade e poder público.
Fonte: Agência ALEMS
















